Novelletto critica proposta de mudança no estatuto da FGF e confirma candidatura

Novelletto fala sobre candidatura à presidência da FGF e critica mudança do estatuto: "Crise institucional"

Cenário político no futebol gaúcho

O cenário político do futebol gaúcho ganhou destaque recentemente após uma proposta de alteração no estatuto da Federação Gaúcha de Futebol (FGF). A proposta, anunciada pelo atual presidente Luciano Hocsman, gerou discussões e levou o ex-presidente da entidade, Francisco Novelletto, a se manifestar sobre o assunto e confirmar sua intenção de concorrer à presidência na próxima eleição.

Novelletto, que deixou a presidência da FGF em 2019 para assumir uma vice-presidência na CBF, concedeu entrevistas onde detalhou sua relação com Hocsman e expressou sua visão sobre a proposta que visa remover o limite de reeleições para o comando da FGF. Atualmente, o estatuto permite apenas dois mandatos consecutivos.

Críticas à alteração do estatuto

O ex-presidente Francisco Novelletto descreveu a proposta de mudança no estatuto como “um tiro no pé”. Ele revelou que, em uma conversa anterior, Hocsman teria prometido não propor tal alteração. Novelletto mencionou que tentou contato com o atual presidente por diversas vezes, mas não obteve resposta, o que o deixou chateado, pois a conversa estaria gravada em seu celular.

Novelletto expressou esperança de que Hocsman reconsidere a proposta e a retire da pauta. Ele afirmou conhecer Luciano Hocsman, que foi seu vice e braço direito durante os 16 anos em que presidiu a FGF, sugerindo que a ideia de alterar o estatuto pode não ser do próprio Hocsman.

A discussão sobre a reeleição ilimitada levanta questionamentos sobre a alternância de poder e a renovação de ideias em instituições. A alternância é vista como um mecanismo saudável que permite a oxigenação da gestão e evita que estruturas de comando se tornem espaços de permanência pessoal. Limites de mandato são considerados importantes para preservar a instituição, criando a possibilidade de novas ideias e reduzindo a concentração de poder.

A proposta da FGF de permitir a reeleição ilimitada do presidente contrasta com o modelo atual, que limita os mandatos. Críticos da alteração argumentam que, embora seja legítimo discutir a continuidade de uma gestão bem avaliada, a remoção completa de qualquer limite para a permanência no cargo pode ser prejudicial. A instituição, segundo essa visão, deve ser maior do que qualquer dirigente, e as regras não devem ser alteradas pensando apenas no gestor atual, mas nas futuras administrações.

O futebol brasileiro, por exemplo, já apresenta histórico de estruturas concentradas onde grupos específicos permanecem por longos períodos no comando de clubes, federações e outras entidades. A preocupação é que, se a mudança for aprovada no Rio Grande do Sul, outras federações possam seguir o mesmo caminho, o que poderia levar a uma maior concentração de poder no esporte.

Candidatura e crise institucional

Em meio a essa discussão, Francisco Novelletto confirmou sua intenção de concorrer à eleição da FGF. Ele descreveu a situação atual como uma “crise institucional” e uma “crise de identidade” na federação gaúcha. Para Novelletto, a situação não é favorável e reflete um momento difícil para o futebol local.

Ele mencionou que o futebol gaúcho não vive um bom momento, citando que as torcidas de Grêmio e Inter não festejam mais a entrada do rival na zona de rebaixamento, o que, para ele, é um sinal de que o futebol não está bem. A assembleia para a votação das mudanças no estatuto está agendada para 25 de agosto, enquanto a próxima eleição da FGF está prevista para 2027.

stádio Centenário, casa do Caxias, um dos filiados da Federação Gaúcha de Futebol
stádio Centenário, casa do Caxias, um dos filiados da Federação Gaúcha de Futebol Credit: ndmais.com.br

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Source: gauchazh.clicrbs.com.br

Jornalista esportivo com foco em futebol brasileiro e competições internacionais. Acompanha o Brasileirão e as principais ligas europeias.