Rio de Janeiro: Vasco planeja novo empréstimo e auditoria na SAF

Vasco busca novo empréstimo e avanço na venda da SAF
A diretoria do Vasco está planejando solicitar à Justiça um novo empréstimo no modelo DIP (Debtor-in-Possession), utilizado por empresas em recuperação judicial. Este movimento pode fazer com que o valor total aportado indiretamente pelo empresário Marcos Lamacchia, da Almirante Participações, ultrapasse os R$ 200 milhões. Lamacchia é considerado o favorito para adquirir 90% da SAF do clube.
Após a aprovação judicial para um empréstimo de R$ 80 milhões no ano passado, o recebimento de R$ 120 milhões este ano pela venda de Rayan ao Bornemouth, e um empréstimo adicional de R$ 40 milhões, o Vasco busca um aporte mais substancial para encerrar o ano. O clube pode pedir os mesmos R$ 120 milhões adiantados em duas parcelas de uma só vez, ou até mais.
No entanto, Marcos Lamacchia deseja que o processo competitivo para a venda da SAF avance antes de liberar mais recursos. O Vasco tenta persuadir a juíza responsável pelo caso a agilizar a abertura do edital para a concorrência de compra. Um novo empréstimo seria solicitado posteriormente, com o objetivo de auxiliar o fluxo de caixa operacional do clube e o pagamento a credores e jogadores.
A Almirante Participações e Empreendimentos S.A. se posicionou como investidor âncora, com direito de preferência no processo competitivo. Isso significa que a empresa pode apresentar uma proposta inicial e, caso outra proposta seja superior, a Almirante tem o direito de igualá-la para fechar o negócio. O presidente Pedrinho explicou que, se a proposta de Lamacchia for a vencedora, o processo seguirá os ritos normais, passando pelo Conselho Deliberativo e pela Assembleia Geral antes da finalização da operação.
O relatório mensal do administrador judicial, divulgado no início de agosto, apontou uma “forte pressão sobre o fluxo operacional” do clube e da SAF. Este relatório foi resultado de uma decisão judicial que determinou uma intervenção na SAF do Vasco em junho, antes de recolocar o presidente Pedrinho no comando da empresa.

Detalhes da proposta de venda da SAF e auditoria
O Vasco entrou na Justiça com um pedido para autorizar a operação de UPI Equity envolvendo sua SAF, que na prática é o processo de revenda. Se autorizada, esta operação abrirá concorrência entre investidores interessados, com a Almirante Participações, de Marcos Lamacchia, atuando como stalking horse. Isso significa que o acordo de investimento entre o Vasco e a Almirante estabelece as condições básicas que os demais interessados devem seguir.
As bases negociadas com a Almirante incluem um aporte total de R$ 500 milhões no futebol, garantia de pagamento de dívidas e obrigações da recuperação judicial, receitas que cubram as despesas por cinco anos, e garantia de investimentos de R$ 120 milhões no centro de treinamento do clube. Além disso, há um veto à revenda de ações por 10 anos, entre outras condições.
O clube argumenta que a negociação com a Almirante já está bem desenvolvida e que a abertura a novos investidores é pública para o mercado. O Vasco também sustenta que a formação de uma nova SAF não afetará as ações da 777 Carioca nem antecipará questões da disputa societária entre as partes.
Outro argumento do Vasco é a necessidade de liquidez e a rápida chegada de investimentos, mencionando a atual janela de transferências como um fator para a conclusão da operação. Isso permitiria um melhor desempenho esportivo e reduziria o risco de uma possível queda de receitas em caso de rebaixamento, o que comprometeria as finanças e a execução do plano de recuperação.
Paralelamente, uma proposta para a realização de auditoria e investigação na Vasco SAF foi apresentada à Justiça. O projeto prevê a análise de pagamentos e extratos bancários entre 2022 e 2026, contratos de jogadores, direitos econômicos, luvas, comissões de intermediários, além de possíveis conflitos de interesse e vínculos entre pessoas e empresas. A proposta, apresentada pela Protiviti, tem um custo estimado de R$ 264,7 mil em honorários, sem incluir despesas operacionais.

Próximos passos e prazos estimados
André Sica, advogado de Marcos Lamacchia, detalhou os valores envolvidos na negociação e as etapas do processo. Segundo Sica, Lamacchia deve investir R$ 650 milhões diretamente no futebol, sendo R$ 500 milhões para contratações e R$ 150 milhões para reformar o CT Moacyr Barbosa.
Além disso, Marcos Lamacchia arcaria com dívidas existentes, cobriria o déficit de caixa a longo prazo e perdoaria um empréstimo de R$ 80 milhões concedido pela Crefisa, instituição financeira de José Roberto Lamacchia, pai de Marcos e avalista na negociação. O advogado mencionou que o pagamento de dívidas concursais e extraconcursais é de aproximadamente R$ 1,3 bilhão, e a cobertura do déficit de caixa dos próximos cinco anos é estimada em cerca de R$ 300 milhões por ano, totalizando R$ 1,5 bilhão.
O processo competitivo se inicia com a publicação do edital e termina com a apresentação de propostas de terceiros. Se não houver uma proposta vencedora de terceiros, a proposta de Marcos Lamacchia será declarada vencedora. O cronograma estimado para a finalização do processo competitivo é até o final de setembro.
Marcos Faria Lamacchia, de 47 anos, é sócio-fundador e CEO da Blue Star, uma empresa de consultoria e gestão financeira sediada em São Paulo. Ele possui formação em Administração de Negócios pela Universidade de Miami e especialização em Direito Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
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Source: oglobo.globo.com