Conmebol pede respeito ao processo eleitoral da Fifa em meio à pressão da Uefa

Pressão sobre o presidente da Fifa
A Uefa e a Concacaf tentaram articular uma reunião no Conselho da Fifa para discutir a remoção do presidente Gianni Infantino. No entanto, houve resistência dentro do próprio conselho a essa movimentação das duas confederações. O plano de Infantino de vender uma parte dos direitos da Copa do Mundo através da criação de uma empresa gerou forte oposição interna na Fifa. A proposta era comercializar 20% dos direitos da Copa para investidores.
A Uefa, que representa a Europa, e a Concacaf, que abrange a América do Norte, Central e Caribe, lideraram a oposição ao plano de Infantino. Ambas as confederações indicaram que boicotariam competições caso o plano fosse adiante. Na semana passada, a Fifa recuou da ideia de criar uma empresa para gerenciar os direitos comerciais da Copa. Contudo, a Uefa e a Concacaf questionaram a liderança da entidade.
Desde então, as expectativas se voltaram para as próximas ações das duas entidades na tentativa de afastar Infantino. Simultaneamente, Infantino se reuniu com a cúpula de seus funcionários para tentar consolidar sua posição e rebater as críticas à sua presidência.
Movimentações e resistências no Conselho
Dirigentes da Uefa e da Concacaf contataram membros do Conselho da Fifa, que é composto por 37 dirigentes, buscando obter 19 assinaturas. O objetivo era forçar Infantino a convocar uma reunião para discutir seu futuro. Este seria o primeiro passo para convocar um congresso extraordinário com as 211 federações nacionais para tentar destituí-lo. Há incertezas no Estatuto da Fifa sobre o número exato de votos necessários para sua remoção, com um texto mencionando maioria e outros dirigentes falando em três quartos.
A iniciativa da Uefa e da Concacaf enfrentou resistência de parte do Conselho. Uma fonte indicou que as duas entidades não conseguiram as assinaturas necessárias para a maioria do órgão. Uma das críticas dirigidas à Uefa e à Concacaf é que elas agem nos bastidores sem formalizar um pedido de assembleia para votar a saída de Infantino.
No Conselho, 11 membros pertencem à Uefa e à Concacaf. Além disso, há dois europeus, o próprio Infantino e o secretário-geral Mattias Grafstrom, que se opõem a essa movimentação. O movimento da Uefa e da Concacaf também visa propor o presidente da Concacaf, Vittorio Montagliani, como um possível candidato para suceder Infantino.
Posicionamento das confederações
A Conmebol se manifestou sobre a crise na Fifa, celebrando a desistência da entidade em abrir seu capital para investidores privados, mas enfatizando a importância de respeitar o processo eleitoral. O conselho da Conmebol expressou preocupação com ações unilaterais adotadas sem diálogo ou uso dos mecanismos institucionais previstos para tais situações.
A confederação sul-americana destacou que a Fifa reformou seus estatutos há mais de uma década e que existem mecanismos específicos para resolver controvérsias. A Conmebol ressaltou a necessidade de privilegiar o diálogo, o respeito às normas e a construção de consensos, alertando que, caso esses princípios sejam ignorados, o futebol e todos perdem. O comunicado da Conmebol também lembrou que há um prazo para a apresentação de candidaturas à presidência da Fifa e que apenas o congresso da entidade pode eleger um novo comandante. A confederação sul-americana afirmou que não apoiará qualquer mudança realizada fora do processo eleitoral.
A África tende a apoiar Infantino. A Conmebol, após uma reunião, também não aceitou movimentos externos às instituições. A Ásia está dividida entre oposição e situação, com o Oriente Médio inclinando-se a favor de Infantino, e o Qatar já declarou seu apoio. A Fifa divulgou um comunicado oficial após uma reunião de Infantino com funcionários de alto escalão em Rabat, no Marrocos, afirmando que Infantino mantém o apoio do secretário-geral e do conselho de administração e que não tolerará ataques à sua integridade e processos, tomando as medidas necessárias para proteger seu nome e reputação.
Uma carta foi enviada às federações nacionais com um pedido de desculpas e a promessa de um relatório sobre o episódio a ser apresentado na próxima reunião do Conselho. Em abril, Infantino anunciou sua candidatura à reeleição no pleito previsto para o próximo ano. Naquele momento, três confederações – a Conmebol, a AFC (Ásia) e a CAF (África) – declararam apoio ao dirigente, somando 111 votos, mais da metade necessária para reelegê-lo. Agora, com a oposição aberta da Uefa, a crítica da Concacaf e possíveis dissidências em outras organizações, há espaço para uma candidatura rival. O presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, tem sido um aliado de Infantino.
Source: uol.com.br