Executivos da Fifa receberam ultimato sobre venda de participação na Copa do Mundo

Altos executivos da Fifa receberam ultimato para vender participação na Copa do Mundo - Folha de S.Paulo

Altos dirigentes da Fifa foram convocados para uma reunião de emergência em Nova York, onde receberam um ultimato para aprovar um plano que envolvia a venda de uma participação de 20% na organização. Este plano, que propunha colocar uma parte da Copa do Mundo em mãos privadas, foi desenvolvido em sigilo com o fundo Thrive Eternal, de Joshua Kushner, e o banco JPMorgan Chase.

A reunião, que ocorreu no hotel Waldorf Astoria, contou com a presença de cinco membros do conselho de administração da Fifa. Segundo fontes, a maioria desses membros não tinha conhecimento prévio do plano, que foi mantido em segredo por meses. Eles foram pressionados a tomar uma decisão antes da meia-noite, com a implicação de que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, ficaria insatisfeito caso a decisão fosse protelada.

Aprovação e Repercussão do Plano

Três membros do conselho aprovaram o acordo: o secretário-geral Mattias Grafstrom, o diretor jurídico Emilio Garcia e o chefe de gabinete Dan O’Toole. No entanto, o diretor de operações Kevin Lamour e o diretor financeiro Thomas Peyer se recusaram a apoiar a proposta. Com a maioria dos votos, o plano seguiu em frente.

A revelação do plano de Infantino por um jornal de Londres em 28 de julho gerou indignação global. Diversas figuras influentes do futebol expressaram que não foram consultadas, e até mesmo assessores próximos de Infantino afirmaram ter sido pegos de surpresa. A Fifa não se manifestou sobre o assunto na época, e a reunião do conselho, que ocorreu antes da final da Copa do Mundo, não havia sido divulgada.

A forma como o processo foi conduzido sugere que Infantino manteve a ideia restrita a um círculo íntimo, excluindo muitos membros importantes da Fifa. Apenas O’Toole, que já trabalhava na iniciativa há meses, teve participação significativa no projeto entre os cinco membros do conselho.

Oposição e Desistência

A Uefa, órgão que rege o futebol europeu, liderou a oposição ao plano, ameaçando boicotar todos os eventos da Fifa, incluindo a Copa do Mundo. Outras entidades regionais da Ásia, América do Norte e Caribe também criticaram publicamente o processo sigiloso e as exigências apressadas para a aprovação do plano. Políticos, como o primeiro-ministro britânico Andy Burnham, também condenaram a iniciativa.

Em 31 de julho, Infantino desistiu do plano. A Fifa divulgou um comunicado conjunto, assinado por Infantino e Grafstrom, pedindo desculpas e prometendo aprender com a situação. Infantino realizou reuniões de crise no Marrocos, onde buscou apoio de sua equipe. Ele também garantiu o apoio público de federações influentes, como as do Catar e dos Emirados Árabes Unidos, além de outras federações menores que dependem do financiamento da Fifa.

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Gianni Infantino discursa durante evento da Fifa em Zurique -Fabrice Coffrini – 20.nov.25/AFP Credit: www1.folha.uol.com.br

Apesar dos esforços de Infantino para angariar apoio, a crise persistiu. A Confederação Africana de Futebol (CAF) declarou apoio a Infantino, enfatizando a importância de continuar trabalhando em conjunto com a Fifa e aderir às melhores práticas de governança. O presidente da CAF, Patrice Motsepe, afirmou que a adesão à governança, ao devido processo legal e à transparência é crucial e inegociável para a África.

A Conmebol, por sua vez, expressou preocupação com ações unilaterais e reforçou a necessidade de diálogo, mas não apoiou boicotes, celebrando a desistência de Infantino em avançar com o plano comercial.

Pressão Contínua e Boicote da Uefa

A Uefa, no entanto, manteve sua ameaça de boicote, afirmando que as condições para encerrar o protesto não foram cumpridas. A entidade europeia havia estabelecido duas exigências: o abandono definitivo da proposta de venda e garantias de que uma iniciativa semelhante não seria discutida novamente. Para a Uefa, apenas a primeira condição foi atendida, e a confiança na presidência de Infantino foi perdida.

A confederação europeia questionou a independência dos dirigentes que apoiaram Infantino, muitos dos quais ocupam cargos diretamente ligados à presidência. O boicote pode impactar competições futuras, como o Mundial Feminino Sub-20, previsto para setembro na Polônia, que contaria com a participação de seleções europeias. A Uefa informou sobre a continuidade do boicote em uma declaração na quinta-feira.

Source: www1.folha.uol.com.br

Jornalista esportivo com foco em futebol brasileiro e competições internacionais. Acompanha o Brasileirão e as principais ligas europeias.