Corinthians não renova com Memphis Depay após pressão política e questões financeiras

O Corinthians anunciou oficialmente o fim da relação com Memphis Depay, citando motivos financeiros como a razão para não renovar o contrato do atacante holandês. A decisão, que encerra meses de negociações, gerou debates entre colunistas e expôs a complexidade da situação interna do clube.
De acordo com Juca Kfouri, a decisão do Corinthians de não sustentar o custo de Memphis foi correta, embora tardia. Ele descreveu a relação como um “casamento abusivo” desde o início, devido aos altos valores envolvidos em salários e benefícios que o clube não tinha condições de arcar. Kfouri mencionou que, mesmo com a diminuição da pedida salarial, o Corinthians não poderia pagar o que o jogador desejava. O colunista também destacou que Memphis, apesar de ter tido poucos momentos de destaque em campo, agora é credor de R$ 40 milhões do clube, o que pode levar a um transfer ban da FIFA caso o pagamento não seja efetuado.
Pressão política e garantias contratuais
Apesar da justificativa oficial do Corinthians focar em questões financeiras, a decisão de não renovar com Memphis foi influenciada por intensa pressão política interna. O presidente Osmar Stabile enfrentou oposição de conselheiros e lideranças que viam o contrato do holandês como um símbolo de irresponsabilidade financeira. Além disso, alguns dirigentes demonstraram insatisfação com as críticas do jogador à gestão do clube.
Rodrigo Mattos apontou que a decisão poderia ter sido tomada antes, já que qualquer valor no patamar discutido comprometia o orçamento do Corinthians. Ele também ressaltou que o desfecho da situação com Memphis dependerá da reação do jogador, pois o contrato original continha “muitas garantias” em caso de dívida. Mattos indicou que o cenário pode variar de um acordo amigável a uma disputa legal, dependendo de como as partes negociarem o encerramento do vínculo.
Para permanecer no Corinthians, Memphis havia aceitado reduzir seu salário de R$ 3,5 milhões para aproximadamente R$ 1,9 milhão mensais. A dívida de R$ 42 milhões do clube com o jogador, referente a bônus e luvas, seria diluída no novo contrato e parcelada, com pagamentos a partir de 2027. O novo acordo também descartava moradia e motorista particular, embora o jogador recebesse uma ajuda de custo. Anteriormente, o clube arcava com cerca de R$ 250 mil mensais pela hospedagem de Memphis em um hotel de luxo em São Paulo.
Críticas ao contrato inicial
José Trajano criticou veementemente a contratação e o contrato inicial de Memphis, classificando-o como “absurdo” devido às exigências e benefícios concedidos ao jogador. Ele mencionou itens como carro blindado, hospedagem em hotel de luxo e bônus por gols, vitórias e até escanteios. Trajano defendeu uma apuração aprofundada e a responsabilização dos envolvidos na aprovação do acordo.
Apesar de Memphis ter aceitado a redução salarial e passado por exames médicos, a pressão política sobre o presidente Osmar Stabile foi determinante para a mudança de planos. Stabile, que tem pretensões eleitorais e deve concorrer à reeleição em novembro, optou por priorizar sua sobrevivência política, frustrando parte da torcida que esperava a permanência do holandês.
O Corinthians, em seu comunicado, afirmou ter negociado com um atleta “diferenciado” e destacou os “esforços incansáveis” de todos os departamentos para viabilizar a permanência do atacante. No entanto, o clube reforçou que a decisão foi tomada “única e exclusivamente em consideração à saúde financeira”. Memphis esteve na Neo Química Arena na última quinta-feira para acompanhar a vitória do Corinthians por 2 a 1 sobre o Internacional na Copa do Brasil.
A saída de Memphis Depay do Corinthians levanta questões sobre a gestão financeira e política do clube, com o jogador sendo credor de R$ 40 milhões.
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Source: uol.com.br