Fifa condena ‘esforço coordenado’ para enfraquecer Infantino em meio a controvérsias

Fifa condena 'esforço coordenado e contínuo' para enfraquecer Infantino

A Fifa condenou um “esforço coordenado e contínuo” para enfraquecer a entidade e seu presidente, Gianni Infantino. A declaração ocorre em meio a controvérsias envolvendo um plano de investimentos privados que foi abandonado e acusações publicadas por um jornal britânico.

A entidade afirmou que “reportagens recentes incluíram alegações sem comprovação e afirmações comprovadamente falsas sobre a Fifa e seu presidente”. Infantino tem enfrentado pedidos de renúncia.

Plano comercial e reações

Infantino enfrentou críticas de dirigentes da Fifa por um plano para vender direitos comerciais da Copa do Mundo. O projeto previa a criação de uma subsidiária, a FIFA Forward Enterprise (FFE), avaliada em US$ 20 bilhões (R$ 102 bilhões), para administrar a Copa e os Mundiais de Clubes masculino e feminino. Diante das críticas, ele desistiu do plano.

A proposta da FFE, caso fosse adiante, permitiria a venda de uma participação minoritária dos direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados. A comercialização seria realizada por meio do fundo de investimento Thrive Eternal, controlado por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro de Donald Trump.

A Uefa, que comanda o futebol europeu, rejeitou amplamente a proposta e decretou um boicote a todas as competições organizadas pela Fifa até que a ideia fosse “definitivamente enterrada”. A Concacaf também se opôs à iniciativa. No entanto, Infantino manteve o respaldo da Confederação Africana (CAF) e da Conmebol. A Federação Mexicana de Futebol também manifestou apoio a Infantino.

O fracasso da proposta comercial resultou em um desgaste da imagem de Infantino e uma perda de apoio para a eleição de 2027. A crise se intensificou após a forte rejeição do futebol europeu e de federações da Concacaf ao plano.

Acusações e apoio político

Um jornal britânico publicou acusações de que Infantino teria feito um pagamento a uma funcionária com quem teria mantido um relacionamento enquanto trabalhava na Uefa. A investigação do jornal britânico The Telegraph revelou que a Uefa pagou uma indenização de seis dígitos a essa funcionária. O episódio ocorreu quando Infantino atuava como secretário-geral da entidade europeia, cargo que ocupou de 2009 até sua eleição como presidente da Fifa em 2016.

De acordo com as informações, Infantino teria promovido a mulher de uma função administrativa a um cargo de chefia, elevando seu salário em 30%, para cerca de 160 mil francos suíços (R$ 1 milhão) anuais. As denúncias indicam que recursos deveriam ser destinados ao desenvolvimento de categorias de base, futebol feminino e infraestrutura. Além da rescisão, a funcionária teria recebido o custeio de um MBA de £ 45 mil (R$ 308 mil) anuais e apoio para recolocação no mercado, a mando de Infantino. A Uefa confirmou os pagamentos e as alegações de relacionamento, afirmando ter seguido as normas vigentes na época. A Fifa negou as acusações em nome de Infantino, classificando-as como falsas e difamatórias.

Em meio à crise, Infantino se encontrou com Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol, em Cali, na Colômbia. O encontro reforçou o apoio sul-americano ao mandatário da Fifa. Domínguez publicou um vídeo nas redes sociais com Infantino e Alejandro Char Chaljub, prefeito de Barranquilla. Eles estavam em Cali para a posse presidencial de Abelardo de la Espriella. Antes, Infantino havia sido recebido na Colômbia pelo presidente da federação local, Ramón Jesurún, com quem cumpriu agenda em um campeonato de crianças.

Ramón Jesurún, presidente da Federação Colombiana, e Gianni Infantino, presidente da Fifa, em Cali.Foto:Federação Colombiana
Ramón Jesurún, presidente da Federação Colombiana, e Gianni Infantino, presidente da Fifa, em Cali.Foto:Federação Colombiana Credit: estadao.com.br

Chiqui Tapia, da Argentina, é aliado de Infantino, e a associação paraguaia é o berço de Alejandro Domínguez. A Copa do Mundo de 2026, que ocorreu nos Estados Unidos, no México e no Canadá, mostrou uma relação de proximidade entre Trump e Infantino. Antes da competição, o dirigente criou o Prêmio FIFA da Paz e o concedeu ao então presidente norte-americano.

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Source: g1.globo.com

Jornalista esportivo com foco em futebol brasileiro e competições internacionais. Acompanha o Brasileirão e as principais ligas europeias.