Rio de Janeiro: MP investiga irregularidades em jogos de Flamengo e Fluminense no Maracanã

Como MP comprovou irregularidades de Flamengo e Fluminense no Maracanã; consórcio dificultou ação - O GLOBO

Investigação sobre superlotação e venda de ingressos

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) está investigando possíveis irregularidades na venda de ingressos e na superlotação de setores do Maracanã em partidas disputadas por Flamengo e Fluminense. A apuração, conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor (Gaedest/MPRJ), teve início após promotores observarem um volume de entrada de torcedores que excedia a capacidade do estádio e de setores específicos, como o norte e as cadeiras cativas, especialmente em jogos do Flamengo.

A investigação se aprofundou com a análise de planilhas de jogos e laudos dos Bombeiros e da Polícia Militar. Estes documentos indicam que a capacidade do Maracanã está limitada a pouco mais de 73 mil pagantes. As planilhas, no entanto, mostraram uma presença de público superior à carga permitida em diversos setores. O MP-RJ também constatou que as catracas do estádio não bloqueiam a entrada de torcedores mesmo quando a capacidade é excedida, o que foi visto como um alívio para evitar tumultos.

O inquérito civil, instaurado em 26 de agosto, busca esclarecimentos sobre o número total de ingressos emitidos, incluindo vendas, cortesias e gratuidades, discriminados por setor, bem como o número de ingressos efetivamente utilizados. O MP-RJ questiona as discrepâncias entre os ingressos disponibilizados e o acesso de um número de pessoas superior à capacidade dos locais.

Detalhes das irregularidades e dificuldades na apuração

As investigações apontam que o Fluminense teria disponibilizado mais ingressos do que o permitido em cinco jogos, enquanto o Flamengo teria superlotado o setor norte e as cadeiras cativas em pelo menos seis de 12 partidas sob suspeita. No total, em 16 jogos realizados desde dezembro de 2025, foram identificados indícios de venda de ingressos acima da capacidade dos setores. Isso resultou em superlotação em 11 partidas do Flamengo, quatro do Fluminense e no clássico que decidiu o Campeonato Carioca de 2026.

Um amistoso entre Brasil e Panamá, organizado pela CBF em maio, foi utilizado como parâmetro. Neste jogo, mesmo com lotação esgotada, os setores estavam dentro das previsões dos laudos de segurança, e não houve comercialização de ingressos no setor oeste superior, que se localiza dentro das cadeiras cativas.

O consórcio Fla-Flu Serviços S.A., que administra o Maracanã, e as empresas prestadoras de serviço teriam dificultado o acesso a informações após o início do inquérito em 31 de outubro. Houve restrições no acesso ao sistema que comprova o número de torcedores por meio de reconhecimento facial, e o monitoramento em tempo real da entrada de público também foi limitado. A saída do diretor de operações Severiano Braga e a chegada do novo CEO, Fred Nantes, também são apontadas como obstáculos para a investigação.

Torcidas de Fluminense e Flamengo no Maracanã
Torcidas de Fluminense e Flamengo no Maracanã — Foto: Alexandre Cassiano Credit: oglobo.globo.com

Reações e possíveis desdobramentos

O CEO do consórcio do Maracanã, Fred Nantes, classificou a investigação do Ministério Público como “uma coisa muito mais midiática do que qualquer outra coisa”. Ele afirmou que o consórcio responderá a todas as informações solicitadas dentro do prazo e pelos canais oficiais, destacando uma “ótima colaboração” com o Ministério Público.

O Fluminense, por meio de nota, negou as acusações, afirmando que “não comercializa ingressos acima da carga em nenhum setor do Maracanã”. O Flamengo não se pronunciou sobre o caso. A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) informou que prestará as informações solicitadas ao Ministério Público dentro do prazo estipulado.

As consequências da Lei Geral do Esporte preveem, pelo artigo 147, que equipes que vendem bilhetes acima da capacidade podem ser proibidas de atuar em estádios de sua cidade por até seis meses. No entanto, o MP-RJ busca propor um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para evitar a judicialização do caso e prejuízos aos clubes. Os envolvidos têm até a próxima semana para apresentar suas explicações ao MP-RJ.

Danilo, do Brasil, no amisto de preparação para a Copa contra o Panamá no Maracan — Foto: Mauro PIMENTEL / AFP
Danilo, do Brasil, no amisto de preparação para a Copa contra o Panamá no Maracan — Foto: Mauro PIMENTEL / AFP Credit: oglobo.globo.com

As partidas do Flamengo sob investigação incluem: Flamengo x Ceará em 3/12/2025, Flamengo x Fluminense em 8/3/2026, Flamengo x Independiente Medellín em 16/4/2026, Flamengo x Bahia em 19/4/2026, Flamengo x Vitória em 22/4/2026, Flamengo x Vasco em 3/5/2026, Flamengo x Estudiantes em 20/5/2026, Flamengo x Palmeiras em 23/5/2026, Flamengo x Coritiba em 30/5/2026, Flamengo x São Paulo em 26/7/2026, e Flamengo x Vitória em 9/8/2026. Já os jogos do Fluminense investigados são: Fluminense x Flamengo em 8/3/2026, Fluminense x Bolívar em 19/5/2026, Fluminense x Deportivo La Guaira em 27/5/2026, Fluminense x Vasco em 5/8/2026, e Fluminense x Rivadavia em 11/8/2026.

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Source: oglobo.globo.com

Jornalista esportivo com foco em futebol brasileiro e competições internacionais. Acompanha o Brasileirão e as principais ligas europeias.